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Trabalhadores rurais caminham segurando uma faixa em defesa do acesso à terra
Trabalhadores rurais sem-terra clamam pela reforma agrária (© CPT Maranhao)
Imagens da cintura para baixo de diversas pessoas caminhando sobre chão de terra
Trabalhadores rurais marchando em uma estrada de terra (© CPT Maranhao)
Multidão de pessoas carregam faixas com dizeres a favor da reforma agrária
Trabalhadores rurais clamam pelo fim das grandes propriedades durante uma marcha (© CPT Maranhao)
Dezenas de crianças e jovens caminham por área rural com faixas de protesto
Crianças e jovens protestam em uma área rural (© CPT Maranhao)
Rostos de dezenas de trabalhadores rurais em primeiro plano; aparecem suas enxadas e foices de trabalho
Trabalhadores rurais com enxadas e foices realizam um protesto (© CPT Maranhao)
Roda com dezenas de indígenas com seus corpos pintados de preto e um galo voando em meio às pessoas
O povo indígena Akroá Gamella participa de um ritual na aldeia (© Luís Fernando Akroá Gamella)
Mais de 20 bolos de milho amarelo dispostos sobre folhas de bananeira
Preparação de bolo de milho em uma comunidade tradicional (© Vértine Rodrigues)
Altar com imagens de santos católicos e outras divindades, uma vela branca acesa ao meio
Altar recebe entidades indígenas, africanas e católicas (© Ranieri Roseira)
Duas mãos femininas tocando tambor. A pele é negra e as unhas são pintadas de rosa
Mulher tocando um tambor tradicional do Maranhão (© Ranieri Roseira)

Exposição fotográfica constrói memória e disputa a história no campo maranhense

8 de out. de 2026Brasil: Comissão Pastoral da Terra (CPT) expõe fotos históricas da luta pela terra no Maranhão. Jovens de povos e comunidades tradicionais complementaram acervo da organização com imagens atuais dos modos de vida no campo.


As disputas no campo no Brasil não são apenas por terra e território. São também pelo protagonismo dos povos e comunidades tradicionais em sua própria história, por poder contá-la com suas próprias palavras, enfoques e imagens. Por séculos – e ainda hoje – a história dos conflitos fundiários no Brasil tem sido contada por quem provoca esses conflitos: grandes latifundiários, que não raro são políticos, e que não raro também são donos de emissoras de TV, rádio, revistas e jornais de grande circulação. Assim, fica fácil dizer, usando as tintas da imprensa, que quem invade e rouba terras é o outro, e que o agronegócio exportador é sustentável e que alimenta o mundo.

Há mais de 50 anos, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) acompanha, apoia e registra as lutas dos povos e comunidades tradicionais por terra e território no país, e a perpetuação dos seus modos ancestrais de se relacionar com a terra, as águas e florestas. Os registros estão em relatórios, notícias, pesquisas, artigos e imagens, algumas delas ainda em preto e branco. Na disputa por significados, as imagens, mais do que as palavras, são poderosas em esculpir na mente um imaginário formado por cenários e rostos. Ainda que sejam registros de fragmentos de ações em um tempo e espaço limitados e mediados pelos olhos de quem as capturou, as fotografias estabelecem um diálogo direto com quem as vê.

Faixa estendida com a frase "Sem reforma agrária não há democracia"
Faixa estendida em protesto afirma que "Sem reforma agrária não há democracia" (© CPT Maranhao)

Ciente desse poder de conexão instantânea das imagens e de sua capacidade de construir memória e história, a CPT Maranhão realizou, entre os dias 9 e 19 de junho desse ano, a exposição fotográfica “Teimosia de Viver”, na Galeria do Centro de Referência Azulejar, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), no centro histórico de São Luís, capital maranhense. Dividida entre imagens históricas das lutas no campo registradas pela CPT e fotos recentes do dia a dia nas aldeias, quilombos, assentamentos e comunidades tradicionais do Maranhão, a exposição trouxe mais de 80 fotos revelando o cotidiano dos povos e comunidades tradicionais de diferentes municípios do estado.

Cenas da lida diária com o plantio e a colheita, de tradições culturais e religiosas e do cotidiano de lazer e trabalho compuseram os registros presentes da exposição. A curadoria do evento recebeu mais de 200 fotos em mais de 40 inscrições ao longo dos meses de fevereiro e março de 2026, quando foi aberto o período de inscrições para povos e comunidades do Maranhão enviarem seus trabalhos. Já o acervo histórico da CPT no estado se fez presente na exposição com uma dezena de imagens emblemáticas da luta e resistência dos povos tradicionais do Maranhão registradas ao longo das décadas.

Mulher com chapéu e cesto de lado em meio a um arrozal fazendo a colheita do arroz
Agricultora familiar na colheita de arroz (© Antonia Pietra)

“Por meio desta exposição, buscamos evidenciar não apenas os desafios enfrentados por essas comunidades, mas, sobretudo, a força, a dignidade e a profunda relação que eles têm com a vida. São povos que resistem, diariamente, na defesa da terra, da água, das florestas e da mãe natureza”, destacou Raniere Roseira, fotógrafo e agente pastoral da CPT Maranhão.

A exposição ficou dez dias em cartaz, e recebeu a visita de centenas de pessoas. Agora ela ganha uma versão itinerante. Entre os dias 2 e 6 de julho de 2026 foi exibida durante a realização da 17a edição do Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, no município de Matões, interior do estado. Entre os dias 3 e 21 de novembro estará na cidade de Codó, no campus da Universidade Federal do Maranhão. Salve a Floresta, parceira da CPT no Maranhão há seis anos, apoiou a realização da exposição juntamente com Grassroots International, Misereor, IFMA e seu Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) e o Ministério Público do Trabalho (MPT-MA) da 16a região. 

Veja a seguir uma seleção de fotos que fizeram parte da exposição “Teimosia de Viver”, da CPT Maranhão.

Roda com dezenas de indígenas com seus corpos pintados de preto e um galo voando em meio às pessoas
O povo indígena Akroá Gamella participa de um ritual na aldeia (© Luís Fernando Akroá Gamella)
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