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Pesquisa
Compilação de fotos relacionadas ao trabalho da articulação Agro é Fogo do Brasil
Fabiana Martins, jovem indígena de 22 anos, lidera uma brigada voluntária de mulheres do povo Gavião, no estado do Maranhão (© Salve a Floresta)

Uma articulação contra os incêndios criminosos na Amazônia brasileira

Em 2025, foram registrados mais de 134 mil focos de incêndio no Brasil. Mais de 100 mil quilômetros quadrados de floresta foram consumidos pelas chamas. A Articulação Agro é Fogo esclarece os motivos por trás desses eventos, exerce pressão pública sobre os governantes e apoia a população na prevenção e no combate a incêndios.

Visão geral do projeto

Tema do projetoHabitats

Objetivo do projeto Prevenção dos Incêndios, Fortalecimento de Brigadas Comunitárias, Proteção dos Territórios

Atividades Pressão política e conscientização, comunicação, treinamento e equipamento para combate a incêndios


No Brasil, 99%  dos incêndios na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pantanal têm origem na ação humana. Grande parte delas é criminosa, perpetrada por fazendeiros e empresários do agronegócio. O fogo não é apenas o método mais eficaz e barato para eliminar rapidamente a vegetação e abrir espaço para soja, milho, eucalipto, pasto para gado e outras commodities para exportação. É também uma estratégia deliberada para expulsar povos indígenas e comunidades tradicionais, quilombolas e camponeses de seus meios de subsistência e apropriar-se de suas terras.

São exatamente essas ações criminosas que a Articulação Agro é Fogo, que hoje reúne mais de 40 movimentos, organizações e pastorais sociais, universidades e grupos de pesquisa, tem mapeado e combatido ao longo dos seus seis anos de existência.

Dois membros da Articulação Agro é Fogo durante um evento de apresentação do Manual de Combate a Incêndios no Cerrado Brasileiro, na Cúpula dos Povos no Brasil, em Belém, em novembro de 2025
Jaqueline Vaz (esquerda), secretária-executiva da Articulação Agro é Fogo, durante debate com a brigadista Fabiana Martins, do povo indígena Gavião (© Guadalupe Rodríguez/ Rettet den Regenwald)

Os incêndios são armas nas mãos daqueles que exploram os recursos naturais e para quem as comunidades tradicionais representam um obstáculo.

Agro é Fogo

A Articulação  pretende enriquecer o debate público e mudar as políticas, indo muito além das imagens de satélite e dos dados sobre desmatamento divulgados pelo governo. Ela publica análises e declarações políticas, além de transmitir a dimensão do que está acontecendo nas florestas e o que as comunidades que lá vivem estão enfrentando. Também apresenta as identidades, realidades e resistências dos principais impactados.

Outra ação fundamental da Articulação Agro é Fogo é a divulgação e valorização dos saberes dos povos e comunidades tradicionais no manejo ancestral do fogo. Isso inclui um pequeno manual sobre prevenção e combate a incêndios florestais no Cerrado, que foi financiado, entre outras fontes, com nossas doações. 

Salve a Floresta, Agro é Fogo e parceiros na apresentação do Manual de Prevençãoo e Combate aos Incêndios Florestais das Comunidades do Cerrado
Salve a Floresta com Agro é Fogo e outros parceiros durante a COP30 em Belém, no Pará (© Rettet den Regenwald e.V.)

A Articulação Agro é Fogo e Salve a Floresta iniciaram sua parceria no começo de 2025. Primeiro, apoiamos um encontro de três dias onde cerca de 40 membros da rede discutiriam o planejamento das suas ações anuais. Depois, ainda em 2025, ajudamos a garantir aos povos e comunidades as condições materiais e de informações para combater e prevenir o fogo ateado em seus territórios. Atualmente, em 2026, na procura de sistematizar denúncias de incêndios criminosos e encaminhá-las aos órgãos públicos responsáveis por investigar, responsabilizar e punir os acusados. 

Fundo de Combate e Prevenção aos Incêndios nos Territórios, o Fundo Aceiro

Nosso apoio à Agro é Fogo para o financiamento de equipamentos de brigadas voluntárias para a proteção e o combate a incêndios se deu com a criação, no final de 2025, do "Fundo Aceiro”, ao qual as organizações parceiras podem solicitar recursos. Para nossa surpresa, recebemos 67 solicitações em muito pouco tempo, das quais onze foram aprovadas. A convocatória evidenciou a necessidade de mais iniciativas como essa para fortalecer as brigadas contra incêndio nos territórios. 

O Fundo disponibiliza recursos financeiros a comunidades diretamente afetadas por incêndios para que desenvolvam ações de prevenção, combate e restauração. A proposta reconhece o protagonismo local, fortalecendo brigadas comunitárias, incentivando práticas tradicionais e agroecológicas e viabilizando respostas emergenciais diante dos danos causados pelo fogo.

"A proposta de Agro é Fogo é ampliar para mais iniciativas, buscando garantir que mais povos e comunidades tenham recursos em mãos para continuar conservando e protegendo seus territórios ancestrais”, conta a secretária-executiva da Agro é Fogo, Jaqueline Vaz.

Custos de equipamento para brigadas voluntarias 

Roupas de proteção individual e ferramentas manuais: 301 euros

Kit de combate a incêndios com mangueira de água: 218 euros

Soprador portátil: 460 euros

O projeto é acompanhado por um processo de implementação de estratégias de prevenção a incêndios e reparação de danos causados pelo fogo.

Uma árvore caída e queimada em uma área da floresta tropical envolta em fumaça
Roça na floresta no estado do Maranhão (© RdR/ Klaus Schenck)

Isso porque, em caso de incêndios, as comunidades afetadas não podem, de forma alguma, contar com o apoio dos bombeiros das autoridades competentes. Estes não estão equipados para combater incêndios florestais — nem com pessoal suficiente nem com equipamentos — e, devido ao número de incêndios e à extensão das áreas afetadas, estão completamente sobrecarregados. Assim, resta às pessoas apenas treinarem-se e equiparem-se para combater o fogo e, já por meio de medidas preventivas, como a criação de faixas de proteção – os chamados aceiros –, dificultar a propagação das chamas.

O agronegócio na base dos incêndios

O agronegócio exportador tem uma ligação muito estreita com os incêndios criminosos no Brasil. Por isso, a Articulação Agro é Fogo surgiu em 2020 como reação ao famigerado “Dia do Fogo”. Nos dias 10 e 11 de agosto de 2019, fazendeiros criminosos do estado do Pará se organizaram para incendiar grandes áreas no leste da Amazônia. Com isso, eles colocaram em prática a destruição das florestas e dos povos que ali viviam, promovida pelo então presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.

Sob o atual governo do presidente Lula da Silva, a proteção das florestas tropicais e dos direitos humanos voltou a ter importância. Mas, ano após ano, os incendiários voltam a atear fogo – pois por trás disso estão interesses econômicos e políticos concretos, sobretudo da poderosa indústria agrícola. Um terço dos incêndios ocorre apenas nos estados do Maranhão e do Pará. Lá, no leste da floresta amazônica e nas savanas do Cerrado, a chamada “fronteira agrícola” avança. As áreas naturais estão sendo transformadas em vastas monoculturas industriais áridas.

O principal destinatário dos produtos agrícolas e madeireiros é a China, mas a União Europeia também desempenha um papel importante. Com o acordo de livre comércio assinado entre a UE e os países sul-americanos do Mercosul — que, além do Brasil, inclui a Argentina, o Paraguai e o Uruguai —, espera-se que as exportações cresçam, o que fornecerá mais combustível, segundo a Agro é Fogo.

Se quiser dar suporte aos povos e comunidades tradicionais com os quais a Articulação Agro é Fogo trabalha acesse "doações" na área Proteger a Floresta.

Capa do Manual de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais das Comunidades do Cerrado
Manual de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais foi feito com base na sabedoria dos povos do Cerrado (© Agro é Fogo)

Manual de Prevençao e Combate aos Incendios Florestais das Comunidades do Cerrado 

 

Baixe aqui

https://www.regenwald.org/files/pt/MANUAL_VERSAO_WEB.pdf

 

  1. Apontou, em 2024, um monitoramento realizado pela doutora em geociências Renata Libonati, coordenadora do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

  2. Aceiro é uma faixa sem vegetação feita nos terrenos para funcionar como uma barreira contra a propagação do fogo.

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