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Pongo tapanuliensis
Antiquíssimo, recém-descoberto, logo extinto: o orangotango de Tapanuli (© Tim Laman/CC BY 4.0)

Raríssimo orangotango ameaçado de morte

O orangotango de Tapanuli só foi identificado em 2017 como espécie, e já agora está ameaçado de extinção. Há apenas 800 bichos vivos nas florestas de Sumatra. Eles estão gravemente ameaçados, pois a construção de uma barragem vai destruir o habitat deles. Precisamos fazer de tudo para salvar o orangotango de Tapanuli!

Notícias e Atualidades
Apelo

Para: Presidente da China, Sr.. Xi Jinping, Presidente da Indonésia, CEOs da Sinohydro, CEOs da companhia elétrica estatal PLN

“Nada de barragem em Batang Toru! A prioridade é proteger o raro orangotango Tapanuli!”

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Cabelos longos e ondulados – já na aparência os orangotangos de Tapanuli se distinguem de seus parentes em Sumatra e Bornéus. E quando os machos gritam, parece que se está a ouvir uma língua estrangeira.

Curiosamente, foi só há poucos meses - em novembro de 2017 – que cientistas descobriram que o orangotango de Tapanuli é uma espécie própria, e não uma subespécie do orangotango de Sumatra. Deram-lhe o nome de orangotango de Tapanuli (Pongo tapanuliensis). Conforme o resultado das análises genômicas, o orangotango de Tapanuli separou-se 670.000 anos atrás da linha dos orangotangos de Bornéu. Dentre os orangotangos, Pongo tapanuliensis é a espécie mais rara.

Essa descoberta mostra-nos como sabemos pouco dos nossos parentes mais próximos, e como é lacunoso o nosso conhecimento sobre a diversidade das espécies. As pessoas destroem-nas antes de vê-las e descrevê-las. Assim é que o orangotango de Tapanuli deve desaparecer tão logo seja construída uma barragem para servir a uma mega-usina hidrelétrica.

Nas florestas ao sul do Lago de Toba vivem os últimos 800 indivíduos. É na floresta de Batang-Toru que a estatal chinesa Sinohydro pretende construir uma barragem para uma usina hidrelétrica de 510 MW. O mundo científico está petrificado de susto: o habitat do raro orangotango de Tapanuli será destruído e parte dele vai submergir, anunciando, de forma retumbante, o fim da mais rara espécie de primata.

Uma parte da floresta de Batang-Toru está sob proteção, mas outra área ecologicamente valiosa, não. Pois é bem aí que a densidade de orangotangos é especialmente mais alta. A barragem também isolaria algumas populações de orangotangos de outras.

Essa barragem é loucura pura e precisa ser paralisada imediatamente!

Mais informações

O orangotango de Tapanuli

Existe uma terceira espécie de orangotango, e ninguém a percebeu ainda, escreveu a New Scientist em novembro de 2017.

Já era sabido há muito tempo da existência de orangotangos vivendo nas matas a sudoeste do Lago de Toba. Eles eram tomados por uma subespécie dos orangotangos de Sumatra. No entanto, exames de genoma, morfologia e comportamento demonstraram que estes orangotangos são mais próximos do orangotango de Bornéu do que dos orangotangos de Sumatra, que vivem a poucos quilômetros de distância.

Na revista especializada Current Biology, cientistas concluíram que os orangotangos de Tapanuli são parentes bem mais próximos dos orangotangos de Bornéus (Pongo pygmeus) do que dos orangotangos de Sumatra (Pongo abelii). As linhas dos orangotangos de Bornéus e de  Sumatra separaram-se 3,4 milhões de anos atrás. Só bem mais tarde - 670.000 atrás - é que o orangotango de Tapanuli veio a separar-se da linha do orangotango de Bonéus. Naquele tempo, Sumatra e Bornéu não eram separadas uma da outra, por causa do baixo nível do mar.

A floresta de Batang-Toru

O ecossistema de Batang-Toru – uma importante bacia hidrográfica escarpada no norte de Sumatra com diversos tipos de floresta tropical e de alta biodiversidade - fica a sudoeste do Lago de Toba. Não são apenas os lugarejos e os campos que dependem da água desse ecossistema. As florestas são também proteção contra erosão e cheias. Ademais, elas são armazenadoras de carbono e por isso, na desmatada Sumatra, de grande significado para o clima local e global.

Parte dele está sob proteção, mas justamente a área que contém a maior biodiversidade, não está. Uma mina de ouro ao sul, em prol da qual já foi vítima uma montanha, caça furtiva e derrubadas ilegais, sobretudo por migrantes, ameaçam a biodiversidade. Somente nos anos de 2001 a 2010 foram liquidados 35 km de floresta, sendo que uma boa parte delas ficava em áreas protegidas.

Nas regiões situadas em altitudes mais elevadas, vivem, além do orangotango, outras espécies ameaçadas, como o tigre de Sumatra e o pangolim. Segundo estudos sobre animais selvagens dos últimos anos, o ecossistema de Batang-Toru é a “casa” de mais 100 espécies de mamíferos, dos quais 18 figuram na lista de espécies ameaçadas da IUCN.

A barragem de Batang-Toru

A barragem de Batang-Toru  é parte de um projeto de usina hidrelétrica de 510 MW, o qual é executado pela firma PT North Sumatra Hydro Energy (PNSHE), a ser construído pela Beijing Engineering Corporation e Sinohydro Bureau 10 Co. Ltd. e financiado pela Goldman Sachs. 559 dos planejados 645 hectares já foram adquiridos pela PNSHE.

O plano é que a barragem seja construída na área com a maior densidade de orangotangos. Com as estradas de acesso e o traçado para as linhas de transição de energia, isso vai, ainda por cima, fragmentar toda a área, isolando, umas das outras, as populações de orangotangos. Segundo a PanEco, com a construção da usina hidrelétrica, o recém-descoberto orangotango de Tapanuli será dizimado.

O projeto é parte da chinesa BRI (Belt and Road Intiative) ou OBOR-Initiative (One Belt One Road), que na Alemanha é denominado como “nova Rota da Seda”.

A Nova Rota da Seda

Com o ambicioso projeto da „Nova Rota da Seda“ („Belt and Road Initiative“ BRI ou „One Belt One Road“ OBOR) a China quer ampliar suas relações econômicas com países emergentes, bem como aproximar a Ásia da África e da Europa pela via terrestre (belt) e pela via marítima (road). Aqui estão incluídos a ampliação das vias de transporte, inúmeros projetos de infraestrutura e a conquista de mercados da Ásia Central e do sudeste asiático, da África e da Europa. A “Nova Rota da Seda” ainda está, aparentemente, mais para um apanhado de enormes projetos do que para um plano coerente. Como instrumentos de financiamento servem os Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB) e o Silk Road Fund. O Asian Development Bank, no qual a Alemanha tem uma participação, já anunciou seu interesse, assim como o Deutsche Bank e outros bancos internacionais.

A „Nova Rota da Seda“ vai mudar a conjuntura econômica. Ao mesmo tempo, ela vai significar enorme pressão para o clima e para o meio-ambiente. O papel da China e de seus vizinhos na Ásia é decisivo para a conservação ou perda da biodiversidade, para o clima global e para o papel de indígenas e de lavradores de subsistência.

A barragem de Batang-Toru mostra já, antecipadamente, o quão grave poderão ser os efeitos da nova “Rota da Seda“.

Também existe o perigo de que os países visados caiam em indesejada dependência, como mostra, por exemplo, o caso do Sri Lanka, que não está conseguindo adimplir o crédito tomado para um projeto de infraestrutura. Também a soberania econômica da Indonésia poderia sofrer com a barragem de Batang-Toru.

Carta

Para: Presidente da China, Sr.. Xi Jinping, Presidente da Indonésia, CEOs da Sinohydro, CEOs da companhia elétrica estatal PLN

Exmo. Sr. Presidente Xi Jinping,
Exmo. Sr. Presidente da Indonésia, Prabowo Subianto,
Exmas. Sras. e Sres.,

Nas florestas de Batang Toru vive o orangotango de Tapanuli, que só veio a ser identificado como espécie própria em 2017. A análise científica do genoma, da morfologia e do comportamento são uma sensação: com o orangotango de Tapanuli, três tipos de orangotango tem seu habitat na Indonésia. Todos os três estão altamente ameaçados, mas mais ameaçada ainda está a existência da recém-descoberta espécie.

Mineração, desmatamento, caça furtiva e monocultura já estão dizimando as biologicamente ricas e multifacetadas florestas de Batang-Toru. Cientistas estão nos advertindo a proteger imediatamente e com determinação o habitat do orangotango de Tapanuli.

É exatamente nesta área ecologicamente significativa que a Sinohydro está planejando construir uma barragem para servir a uma usina hidrelétrica de 510 MW. A barragem vai cortar ao meio o habitat dos orangotangos de Tapanuli, isolando algumas populações e fazendo submergir uma boa parte da área.

Nós apelamos aos senhores que façam tudo que estiver em vosso poder para salvar o orangotango de Tapanuli. Não se tornem os culpados da extinção de nossos parentes mais próximos! Não sacrifiquem a base da vida em prol de interesses econômicos de curto prazo!

O planejamento de enormes projetos como o de Batang-Toru precisa, imprescindível e incondicionalmente, considerar critérios sociais e ecológicos.

Nada de fazer barragem no habitat dos orangotangos em Tapanuli!

Atenciosamente,

Notícias e Atualidades

2026: O trabalho na usina foi suspenso por três meses e, em março, a operadora NSHE fez um acordo com o governo. A NSHE terá de construir pontes nas copas das árvores para os orangotangos e pagar uma multa de US$12,7 dólares. A usina está programada para ser conectada à rede elétrica em outubro.

2025: Depois do ciclone Senjar (25/11/2025), o Ministério do Meio Ambiente em 12/6/2025 ordena que os trabalhos sejam interrompidos imediatamente até que um novo teste seja realizado.

90% da usina de Batang Toru está construída. De acordo com o plano, a primeira fase (127,5 MW é um quarto da produção total de 510 MW) deve ser conectada à rede no início de 2026.

2024: De acordo com os dados oficiais, 62% da barragem e da central elétrica estão concluídas.

As campanhas continuam. “Salve a Floresta” dedica, no dia 5 de dezembro, a primeira #Conversa-sobre-florestas aos orangotangos de Tapanuli e à luta pela floresta tropical.

2023: Após a reestruturação, a construção é retomada. No final do ano, cerca de 12% do projeto está concluído.

As explosões e o trabalho levaram imediatamente à fragmentação das populações. 

Pelo menos 150 hectares de floresta foram destruídos. Queda de rochas e deslizamentos de terra são comuns. Moradores e trabalhadores são mortos. 

Forte resistência local. Campanhas conjuntas com ONGs indonésias.

2022: O banco estatal de exportação e importação da China está dando dinheiro novo.

A barragem não pôde ficar pronta em 2022, como planejado.

2021: Empresas estatais controladas pela China e por Cingapura assumem o comando.

2020: Começa a reestruturação do financiamento.

Os protestos em todo o mundo e nossa petição brecaram as obras de construção.

2019: Golfrid Siregar, um jovem advogado da organização ambientalista WALHI, de Sumatra do Norte, que investigou suspeitas de corrupção relacionadas com o procedimento de autorização, é presumivelmente assassinado em outubro.

2019: O Banco da China (BOC, um banco privado) congela o financiamento em março após as contundentes vozes contrárias ao financiamento. Isso é um sucesso parcial.

2018: A WALHI North Sumatra entrou com um processo contra a licença ambiental para a barragem e a usina. Um dos argumentos principais: Batang Toru é uma área de terremoto. Em março de 2019, o Tribunal julgou a ação improcedente.

2018: Entrega das petições (da RDR e outros) com um total de mais de 1 milhões de assinaturas e ações em frente à usina estatal em Jacarta.

 


Esta petição está disponível, ainda, nas seguintes línguas:

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